musicas.mus.br

Letras de músicas - letra de música - letra da música - letras e cifras - letras traduzidas - letra traduzida - lyrics - paroles - lyric - canciones - Zé RUFINO E O FIM DO CANGAçO - WALBER COSTA - música e letra

Utilize o abecedário abaixo para abrir as páginas de letras dos artistas

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Zé Rufino E O Fim Do Cangaço letra


No meio seco do mundo esquecido
Onde o Sol rasga o chão sem perdão
Um menino tocava sanfona
Sem saber do peso da mão

Era festa, era riso e poeira
Era vida simples demais
Mas o destino não pede licença
Quando resolve chegar

Foi na beira de uma estrada
Que cruzou com o capitão
Lampião de olhar de brasa
E promessa de escuridão

Venha comigo, sanfoneiro
Seu talento vai prosperar
Mas Zé Rufino, sem medo
Respondeu: Não vou entrar

Lampião não aceitava
Ser negado assim tão fácil
Fez de novo o mesmo convite
Num silêncio quase frágil

Uma vez, depois outra
E a terceira pra selar
Cada não era sentença
Que podia o fim chamar

Zé Rufino disse não
Mesmo olhando a morte em pé
Recusou o rei do sertão
Sem tremer, sem perder a fé
E naquele mesmo instante
Sem ninguém poder prever
O destino do sanfoneiro
Começou a se inverter

Sem ter como se esconder
Sem ter rota pra fugir
Entendeu que no sertão
Só um lado é pra existir

Vestiu farda, virou caça
Do que antes evitou
O menino da sanfona
Pela guerra se marcou

Do outro lado da história
Um relâmpago surgiu
Cabelos soltos ao vento
Era Corisco que partiu

Braço forte de Lampião
Fiel feito tempestade
Carregava no olhar
Raiva, dor e lealdade

Depois da queda do chefe
Não restou mais direção
Mas Corisco não se rende
Mesmo em desolação

Era fogo contra fogo
Era sangue contra lei
De um lado o cangaço vivo
Do outro, quem virou rei
Zé Rufino perseguia
Sem descanso, sem parar
E Corisco respondia
Sem pensar em se entregar

O sertão ficou pequeno
Pra dois nomes tão fatais
Cada rastro era seguido
Cada passo, sinais

Não era só vingança
Nem só ordem ou dever
Era o peso da história
Que ninguém podia deter

E num dia sem aviso
Veio o fim pra se escrever
O encontro inevitável
Que ninguém quis esquecer

Corisco ainda lutava
Mesmo vendo o fim chegar
Entre tiros e poeira
Se negava a se dobrar

Zé Rufino não parou
Até ver tudo acabar
O cangaço que marcou
Finalmente foi calar
Mas não foi só vitória
Nem motivo pra cantar
Foi o fim de uma história
Que fez o sertão sangrar

O sanfoneiro que um dia
Só queria tocar
Virou nome na memória
Difícil de julgar

Nem herói, nem só vilão
Só um homem do sertão
Que entre o certo e o errado
Escolheu direção

E no eco dessa terra
Ainda dá pra escutar
Os acordes de um passado
Que insiste em não calar

Zé Rufino, corisco, lampião
Três destinos num só chão
E a história que ficou
Foi escrita em sangue e chão

Walber Costa - Letras

top 30 músicas

©2003 - 2026 - musicas.mus.br